A conservação das toninhas também se constrói por meio de conexões que atravessam fronteiras. Em maio, a coordenadora geral do Toninhas do Brasil, Marta Cremer, e os pesquisadores Renan Paitach e João Miguel Moreira participaram do programa de avaliação de saúde de golfinhos-nariz-de-garrafa de vida livre realizado na Baía de Sarasota, na Flórida (EUA).
A atividade integra o Sarasota Dolphin Research Program (SDRP), do Brookfield Zoo Chicago, reconhecido como o mais longo estudo contínuo do mundo com uma população de golfinhos de vida livre e uma referência internacional em pesquisa aplicada à conservação.
A operação deste ano reuniu cerca de 150 participantes de diferentes países, incluindo Austrália, Bermudas, Brasil, Dinamarca, Espanha e Reino Unido. Durante cinco dias de atividades, pesquisadores e técnicos atuaram embarcados a bordo de 14 embarcações, contribuindo para a coleta de dados e amostras que irão apoiar 39 projetos científicos integrados ao programa de pesquisa.
Para a equipe do Toninhas do Brasil, projeto realizado pela Univille em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, a experiência representou uma oportunidade valiosa de atualização técnica, intercâmbio de metodologias e fortalecimento de parcerias internacionais. Marta e Renan já haviam integrado o programa em 2010 e 2012, respectivamente. Retornar mais de uma década depois permitiu acompanhar a evolução das pesquisas e reencontrar parceiros que ajudaram a construir capítulos importantes da história da conservação das toninhas no Brasil.
Isso porque em 2011 e 2013, pesquisadores do SDRP vieram ao Brasil para apoiar as primeiras capturas científicas de toninhas realizadas no Brasil, numa iniciativa do Projeto Toninhas. No total, seis toninhas receberam transmissores satelitais, permitindo conhecer seus deslocamentos e áreas de vida. As informações obtidas contribuíram significativamente para ampliar o conhecimento sobre a população residente da Baía Babitonga e subsidiar estratégias de conservação da espécie.
A experiência em Sarasota reforça um princípio central da conservação: os desafios enfrentados pelas espécies ameaçadas exigem ciência de qualidade, cooperação internacional e construção contínua de conhecimento. E os próximos capítulos dessa parceria já começam a ser escritos, com novas possibilidades de colaboração em discussão entre as instituições envolvidas.
Nota: A comitiva brasileira deste ano também contou com representantes do Projeto de Monitoramento de Praias da Univille (PMP-BS), da Associação R3 Animal e do Instituto Baleia Jubarte. A programação incluiu ainda um workshop da Aliança para Pesquisa, Resgate e Reabilitação da Toninha, dedicado à discussão dos avanços alcançados na última década nas áreas de pesquisa, reabilitação e conservação da espécie.
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Contato para a Imprensa:
Gizele Cunha (Coordenadora de Comunicação Toninhas do Brasil)
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Sobre o Projeto Toninhas do Brasil
O Projeto Toninhas do Brasil é uma iniciativa que atua na pesquisa e conservação da toninha (Pontoporia blainvillei), um dos menores e mais ameaçados golfinhos do planeta. O Toninhas do Brasil é uma realização da Univille, que conta com parceria Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que há mais de 20 anos realiza ações de pesquisa, comunicação, educação ambiental e articulação institucional em prol da defesa dos ecossistemas costeiros. Reunindo uma equipe multidisciplinar de profissionais comprometidos com a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas marinhos, o projeto atua em rede com diversas instituições nacionais e internacionais engajadas com o tema, e é referência no Brasil e no mundo quando o assunto é pesquisa e conservação de pequenos cetáceos.